NOSSA OPINIÃO

Nossa Opinião

 

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No mês de agosto o Ibovespa apresentou fraco desempenho. A contínua retração dos investidores estrangeiros prejudicou os preços das ações. Foi verificada no mês saída líquida de capital estrangeiro de R$ 1,2 bilhões. Apesar do fim do aperto monetário decidido pelo Banco Central Americano (FED), as preocupações com a queda do crescimento global aumentaram, causando desvalorização nas Bolsas de Valores em todo o mundo.

 

 

Perspectivas futuras

 

Curioso este tempo de bolhas. De natureza efêmera, as bolhas são bolhas porque explodem. Se não explodissem não seriam bolhas.

Vêem-nos à memória as bolas de sabão, da infância de toda criança, umas explodem instantaneamente à sua formação, outras mais resistentes são levadas pelo vento e algumas chegam a ir tão longe que sua explosão escapa à vista, mas seguramente explodem.

A “bolha imobiliária” do mercado norte-americano fez, finalmente, jus ao fato de ser assim chamada e explodiu.

As conseqüências na economia americana dessa explosão estão sendo avaliadas pelos analistas de todo o mundo. Há preocupações de que uma queda muito acentuada e abrupta da indústria imobiliária afete a capacidade de consumo das pessoas e provoque uma recessão no mercado norte americano. Este risco na opinião de importantes economistas é real. Após tantos anos de prosperidade, um ciclo de baixo crescimento econômico global é bastante provável que ocorra.

Atualmente, a dependência do mundo à prosperidade americana parece estar menor, pois China e Índia estão assumindo um papel cada vez maior na promoção da prosperidade econômica global. Há alguns analistas que acreditam que em mais alguns anos, chineses e indianos estarão engrossando as massas consumidoras globais superando o consumo dos Estados Unidos.

De qualquer maneira a dependência do mundo em relação a economia americana é suficientemente importante para provocar perturbações em todos os mercados, em especial, os financeiros, das ações e dos títulos de crédito.

A manutenção das taxas de juros básicas pelo Banco Central Americano, trouxe alívio, mas também preocupações, pois os sinais de que a economia crescerá menos são cada vez mais evidentes. O Japão, que divulgou uma taxa de crescimento abaixo do esperado, veio aumentar a onda de pessimismo global. A honrosa exceção continua sendo a China cujo crescimento surpreende pelo vigor, mas as autoridades monetárias chinesas parecem querer moderar a forte economia de seu país e promoveram novo aumento de juros, o segundo em menos de cinco meses.

Aqui no Brasil, os ventos são favoráveis. A balança comercial fechou agosto com praticamente US$ 30 bilhões de saldo. A inflação, que a cada dado novo está menor, gera expectativas de que o IPCA fechará o ano calendário de 2006 abaixo da meta. No acumulado de doze meses findo em agosto o IPCA está em 2,9% e os analistas projetam para 2006, 3,3%, em comparação os 4,5% da meta inflacionária. Com estes números o Banco Central do Brasil continua comprando dólares para evitar uma queda maior das cotações e reduziu os juros básicos em 0,50% quando a maioria dos analistas acreditavam numa redução de apenas 0,25%.

Enquanto estes dados vão bem, o lado ruim fica com o crescimento do PIB e a taxa de formação bruta de capital fixo (FBCF – ou investimento), que não conseguem subir.

O crescimento do PIB no conceito de doze meses findo em junho está em 1,7% e no primeiro semestre de 2006 a taxa é de 2,2%. A taxa de investimento, cuja importância para o crescimento sustentado de longo prazo é ressaltada constantemente pelos economistas, inverteu o sinal positivo do primeiro trimestre do ano (quando cresceu 3,7%) e registrou queda de 2,2% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre. Desta maneira, a taxa de investimento da economia brasileira mal consegue se manter no patamar de 20% em relação ao PIB, quando o desejável seria uma taxa de 25%.

A FIESP, recentemente divulgou o Indicador do Nível de Atividade (INA) do mês de julho, que caiu 1,8% comparado com junho. No acumulado do ano apresentou crescimento de 3% comparado com o mesmo período de 2005. Por sua vez a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), divulgou que no acumulado do ano até julho o faturamento do setor recuou 2,83% comparado com 2005.

Assim, com marchas e contra-marchas, constata-se que o país cresce pouco em alguns setores e em outros nem sequer cresce. Cabe ao Banco Central do Brasil diante deste quadro de inflação abaixo da meta e de crescimento medíocre, atuar sobre as taxas de juros. Temos duas reuniões do COPOM até o final de 2006, é muito provável que tenhamos duas quedas na taxa básica de 0,50%, cada, para fechar o ano em 13,25% de taxa nominal anual. A Bovespa deverá agradecer este movimento.

 

 

 

Previsões do mercado

 

As previsões dos analistas para os principais indicadores econômicos estão apresentadas no quadro abaixo. Neste mês de agosto tivemos uma ampla revisão das expectativas com reduções expressivas na taxa de crescimento do PIB, na taxa de juros para o final do ano, na inflação anual e no saldo da balança comercial, por outro lado, apesar do desempenho fraco as expectativas para a Bovespa subiram.

 

DADO

PREVISÕES

 

MÊS CORRENTE

MÊS ANTERIOR

Taxa de crescimento anual do PIB

2,9 – 3,5%

3,5 – 3,9%

Taxa de juros Selic – no final do ano

13,50 – 13,75 %

13,75 – 14,00 %

Taxa de Câmbio – no final do ano

R$ 2,20 – 2,30

R$ 2,25 – 2,30

Inflação anual (IPC – FIPE)

2,0 – 2,5%

2,6 – 3,0%

Balança Comercial – superávit anual

US$ 42 – 45 bilhões

US$ 40 – 42 bilhões

Índice Bovespa – no final do ano

43.000 – 48.000 pontos

42.000 – 47.000 pontos