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Fechamento das cotas: 17.02.2012

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Data: 22/02/2012

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  Nossa Opinião

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No mês de agosto, o Ibovespa apresentou fraco desempenho. A contínua retração dos investidores estrangeiros prejudicou os preços das ações. Foi verificada, no mês saída líquida de capital estrangeiro de R$ 1,2 bilhões. Apesar do fim do aperto monetário decidido pelo Banco Central Americano (FED), as preocupações com a queda do crescimento global aumentaram, causando desvalorização nas Bolsas de Valores em todo o mundo.

Perspectivas futuras
Curioso este tempo de bolhas. De natureza efêmera, as bolhas são bolhas porque explodem. Se não explodissem não seriam bolhas.

Vem-nos à memória as bolas de sabão, da infância de toda criança, umas explodem instantaneamente à sua formação, outras, mais resistentes são levadas pelo vento e algumas chegam a ir tão longe que sua explosão escapa à vista, mas seguramente explodem.

A "bolha imobiliária" do mercado norte-americano fez, finalmente, jus ao fato de ser assim chamada e explodiu.

As conseqüências, na economia americana dessa explosão estão sendo avaliadas pelos analistas de todo o mundo. Há preocupações de que uma queda muito acentuada e abrupta da indústria imobiliária afete a capacidade de consumo das pessoas e provoque uma recessão no mercado norte americano. Este risco, na opinião de importantes economistas é real. Após tantos anos de prosperidade, um ciclo de baixo crescimento econômico global é bastante provável que ocorra.

Atualmente, a dependência do mundo à prosperidade americana parece estar menor, pois China e Índia estão assumindo um papel cada vez maior na promoção da prosperidade econômica global. Há alguns analistas que acreditam que em mais alguns anos, chineses e indianos estarão engrossando as massas consumidoras globais superando o consumo dos Estados Unidos.

De qualquer maneira, a dependência do mundo em relação à economia americana é suficientemente importante para provocar perturbações em todos os mercados, em especial, os financeiros, das ações e dos títulos de crédito.

A manutenção das taxas de juros básicas pelo Banco Central Americano trouxe alívio, mas também preocupações, pois os sinais de que a economia crescerá menos são cada vez mais evidentes. O Japão, que divulgou uma taxa de crescimento abaixo do esperado, veio aumentar a onda de pessimismo global. A honrosa exceção continua sendo a China cujo crescimento surpreende pelo vigor, mas as autoridades monetárias chinesas parecem querer moderar a forte economia de seu país e promoveram novo aumento de juros, o segundo em menos de cinco meses.

Aqui no Brasil, os ventos são favoráveis. A balança comercial fechou agosto com praticamente US$ 30 bilhões de saldo. A inflação, que a cada dado novo está menor, gera expectativas de que o IPCA fechará o ano calendário de 2006 abaixo da meta. No acumulado de doze meses, findo em agosto, o IPCA está em 2,9% e os analistas projetam para 2006, 3,3%, em comparação os 4,5% da meta inflacionária.

Com estes números, o Banco Central do Brasil continua comprando dólares para evitar uma queda maior das cotações e reduziu os juros básicos em 0,50% quando a maioria dos analistas acreditavam numa redução de apenas 0,25%.

Enquanto estes dados vão bem, o lado ruim fica com o crescimento do PIB e a taxa de formação bruta de capital fixo (FBCF – ou investimento), que não conseguem subir.

O crescimento do PIB, no conceito de doze meses, findo em junho, está em 1,7% e, no primeiro semestre de 2006, a taxa é de 2,2%. A taxa de investimento, cuja importância para o crescimento sustentado de longo prazo é ressaltada constantemente pelos economistas, inverteu o sinal positivo do primeiro trimestre do ano (quando cresceu 3,7%) e registrou queda de 2,2% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre. Desta maneira, a taxa de investimento da economia brasileira mal consegue se manter no patamar de 20% em relação ao PIB, quando o desejável seria uma taxa de 25%.

A FIESP, recentemente, divulgou o Indicador do Nível de Atividade (INA) do mês de julho, que caiu 1,8% comparado com junho. No acumulado do ano, apresentou crescimento de 3% comparado com o mesmo período de 2005. Por sua vez, a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), divulgou que, no acumulado do ano até julho o faturamento do setor recuou 2,83% comparado com 2005.

Assim, com marchas e contra-marchas, constata-se que o País cresce pouco em alguns setores e, em outros, nem sequer cresce. Cabe ao Banco Central do Brasil, diante deste quadro de inflação abaixo da meta e de crescimento medíocre, atuar sobre as taxas de juros. Temos duas reuniões do COPOM até o final de 2006, é muito provável que tenhamos duas quedas na taxa básica de 0,50%, cada, para fechar o ano em 13,25% de taxa nominal anual. A Bovespa deverá agradecer este movimento.



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